Mulher com adereço de orelhas de coelho a apresentar uma cesta de ovos de Páscoa pintados.

Páscoa sem culpa: como desfrutar das tradições gastronómicas sem exagerar


Já sentiu aquele momento de pânico depois do segundo pedaço de folar e quando percebe que provavelmente não vai ficar por ali? E se a culpa que sente nesse momento fizer mais mal à sua saúde do que o próprio folar?

A Páscoa em Portugal é uma festa de família, de tradição e, sejamos honestos, de uma quantidade generosa de açúcar, azeite e borrego. Ninguém se senta à mesa pascal a pensar em calorias e está bem assim. O problema começa quando passamos da celebração para a espiral de culpa que dura mais do que o próprio fim de semana.

Este artigo não é um manual de dieta disfarçado de conteúdo festivo. É um convite a olhar para as tradições da Páscoa com mais leveza e a perceber que desfrutar de um pão-de-ló húmido, num dia ou dois, não lhe vai fazer qualquer mal.

O que se come na Páscoa em Portugal?

A gastronomia pascal portuguesa inclui borrego ou cabrito assado, bacalhau, folar, pão-de-ló húmido, arroz doce, amêndoas cobertas e ovos de chocolate. Cada região tem as suas variantes típicas.

A Páscoa portuguesa tem um cardápio que vai muito além dos ovos de chocolate da prateleira do supermercado. Começa, muitas vezes, na Sexta-Feira Santa, com o bacalhau a entrar em cena com a solenidade que a tradição exige. Depois vem o sábado de véspera, com os folares a saírem dos fornos das padarias e das avós, aquelas roscas macias com ovos cozidos encravados na massa, que mais parecem esculturas comestíveis do que comida a sério.

No domingo, a estrela é o borrego ou o cabrito, conforme a região e a tradição da casa. Assado, estufado, no forno com batatinha e alho, temperado com paciência e tradição. A acompanhar, arroz de forno, açordas, legumes que ninguém toca muito porque a carne está ali. A sobremesa? Pão-de-ló húmido, aquele que parece que vai desaparecer antes de chegar ao prato, ou pão-de-ló tradicional.

As amêndoas cobertas, sejam de chocolate, de licor ou de açúcar, circulam pela mesa com uma naturalidade que engana. Pequenas, coloridas, e perigosamente fáceis de comer sem dar por isso. Os ovos de chocolate fecham o dia. Ou abrem-no, se for criança (ou adulto com muita alegria).

Prato de borrego é tradicional na Páscoa em Portiugal.

É possível aproveitar a Páscoa sem engordar?

Com escolhas conscientes nos dias antes e depois, é totalmente possível desfrutar das tradições pascais sem impacto significativo no peso.

A resposta curta: sim. A resposta honesta: depende do que faz nos dias à volta.

A Páscoa dura, no máximo, quatro dias. O seu corpo não guarda conta de um fim de semana, guarda conta de padrões. Um prato de borrego ou cabrito a mais num domingo não vai mudar nada de forma permanente. O que muda as coisas é o que acontece antes e depois.

Nos dias que antecedem a Páscoa, coma bem sem se privar. Aumente os vegetais, hidrate-se, mantenha a atividade física que já tem. Não é preparação militar, é simplesmente equilíbrio consciente, como quem guarda espaço no estômago antes de um bom jantar, mas com menos drama.

Como desfrutar do folar e do pão-de-ló sem exagerar?

Coma devagar, saboreie cada porção e evite repetir automaticamente. A atenção à refeição reduz o consumo sem tirar qualquer prazer.

O folar é um dos maiores riscos da Páscoa. Não porque seja especialmente calórico, por norma, uma fatia razoável fica por volta das 200 calorias,mas porque ninguém come uma fatia e raramente ao prato. O problema não está no folar: está na velocidade com que o comemos, de pé, em frente ao fogão, enquanto esperamos que o borrego ou o cabrito acabe de assar.

Experimente isto: sente-se. Ponha o folar no prato. Coma devagar e com atenção. Note o anis, a casca de limão, o ovo cozido que se desmanchava na massa. Vai comer menos, quase sempre, e vai saborear muito mais. O mesmo raciocínio aplica-se ao pão-de-ló húmido, em que meia fatia degustada com vagar vale mais, literalmente, do que duas engolidas enquanto fala com o tio que não vê há meses.

A atenção plena à comida não é uma técnica esotérica. É o que os seus avós faziam quando a comida era escassa e cada refeição merecia respeito.

Folar da Páscoa. Bolo típico da época.

Como não sabotar os seus objetivos de saúde durante as festas?

Não se castigue, nem compense em excesso depois, e mantenha hábitos simples como caminhadas e hidratação. Integrar a festa no seu estilo de vida é a chave.

Há uma armadilha clássica da Páscoa e, sejamos honestos, de qualquer época festiva. Chama-se o ciclo culpa-punição: come mais do que planeava, sente que “falhou”, e compensa com restrição extrema nos dias seguintes. O que, ironicamente, aumenta a probabilidade de exagerar na próxima oportunidade. É um ciclo que não tem vencedores.

O ciclo parte-se de uma forma simples: não se castigue. Voltar à sua rotina alimentar na terça-feira sem dramas nem detoxes milagrosos. Uma caminhada depois do almoço de Páscoa não é punição, é uma tradição portuguesa em si mesma. Esse passeio digestivo pós-borrego que os avós defendem com convicção científica duvidosa mas eficácia humana comprovada existe por alguma razão.

Se tem objetivos concretos de controlo de peso ou bem-estar que leva a sério, uma consulta de nutrição nutrifuncional pode ajudar a construir um plano que acomode épocas festivas sem ansiedade, porque qualquer plano que não sobrevive à Páscoa não é sustentável. Ponto.

O que fazer depois da Páscoa para voltar ao equilíbrio?

Retome a sua rotina normal no dia a seguir à festa. Sem restrições extremas, apenas os seus hábitos habituais de alimentação saudável e movimento.

Terça-feira a seguir à Páscoa. O borrego acabou. O folar também (quase). O arroz doce, esse, tem tendência a sobreviver durante dias no frigorífico, olhando para si com ar desafiante.

O segredo para voltar ao equilíbrio é banal e eficaz: coma como come normalmente. Não faça jejum prolongado, não corte grupos alimentares inteiros, não se inscreva num detox de cinco dias que encontrou nas redes sociais. O seu metabolismo sabe o que fazer e vai funcionar, quando lhe dá espaço para isso e não o prende num ciclo de privação e excesso.

Beba água. Durma bem. Volte a caminhar. É o suficiente. Se quiser ir um pouco mais além, e sentir que épocas como esta a tiram frequentemente do trilho, a área de nutrição das Clínicas Persona oferece acompanhamento personalizado para quem quer construir uma relação mais tranquila com a alimentação ao longo do ano.

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